"(...) as realidades mais óbvias, onipresentes e fundamentais são com frequência as mais difíceis de ver e conversar a respeito. Dito dessa forma, em uma frase, é claro que isso não passa de uma platitude banal, mas o fato é que nas trincheiras cotidianas da existência adulta as platitudes banais podem ter uma importância vital, ou pelo menos é o que eu gostaria de sugerir a vocês nessa manhã de tempo seco e agradável." (David Foster Wallace, "This is water", 2005)

quinta-feira, 10 de março de 2016

Que as forças e movimentos sociais atuem em frente única

Ainda mais um comentário sobre a escalada golpista (o momento pede que sejamos monotemáticos). É preciso mostrar peso na rua. Para isso, é importantíssimo mais do que nunca que as forças e movimentos sociais atuem em frente única. Sectarismo é suicídio; o alvo final não são Lula e o PT, mas, através de Lula e do PT, todo o campo popular e de esquerda. É preciso ter isso em mente. Nesse sentido, lamentável a nota da executiva nacional do PSOL. Lavam as mãos no melhor estilo "é tudo igual" e se oferecem, oportunisticamente, como a "alternativa de esquerda à crise econômica e política" (sic). Tal alternativa é necessária, contudo: a) não existe alternativa "autoproclamada", isto é, não basta se lançar como tal para sê-lo de fato (em outras palavras, qual a real inserção de massas do PSOL?); b) não é possível, ou ao menos seria hercúleo, construir uma "alternativa" em tempos de contraofensiva de direita.

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quarta-feira, 9 de março de 2016

A inoperância da máquina judiciária

A inoperância da máquina judiciária. Um de meus processos se aproxima -espero!- da fase final. É de 2005, portanto mais de uma década de idas e vindas. Em outros casos, um, dois anos, para certificações ou juntadas de petição. A máquina está assoberbada, decerto; infelizmente, a solução encontrada tem sido a pior possível. Ao invés de melhorar o aparato -mais concursos, melhores condições de trabalho para os serventuários, mais alocação de recursos-, a tendência dos tribunais é cercear o acesso à justiça, direta ou indiretamente (rejeição de iniciais "ab ovo", negativa de seguimento a recursos por ninharias formalistas etc.). É jogar o problema para debaixo do tapete. O Novo Código de Processo Civil PARECE que melhorará isso. Aguardemos, tenho andado cético.

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domingo, 13 de dezembro de 2015

FMI versus BRICS, mas para o esquerdista é "tudo igual"

[Neste link], O FMI manobrando para beneficiar o "grupo do dólar" em detrimento dos BRICS. Apesar do esquerdista se recusar a notar as nuances e contradições -vale dizer, se recusar a adotar uma leitura dialética, "simplificando a realidade" como fazem os sectários denunciados por Trotsky no "Programa de Transição"-, o fato é que o imperialismo principalmente desde a crise econômica de fins de 2000's tem sofrido fissuras em sua outrora inabalável hegemonia. Há um bloco alternativo se configurando e, mesmo que transite ainda nos marcos do capitalismo, seu ascenso é progressista por resultar neste cada vez maior enfraquecimento do imperialismo e permitir a multipolaridade global. Mas o esquerdista, este infantil, vai dizer que é "tudo igual".

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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Todo apoio ao bloco Putin-Assad-xiita contra a barbárie do wahhabismo e da OTAN.

Infame a [suposta] imagem do corpo do piloto russo, abatido covardemente e vilipendiado pelos chacais da "oposição" wahhabista-otanista. Há algum tempo assisti um vídeo da al-Nusra, onde os psicopatas, numa encenação macabra, simulavam um diálogo com a cabeça decepada de um soldado [do regime]. O ISIS tem as mesmas práticas. O vídeo com um combatente do Exército "Livre" Sírio comendo -literalmente- o coração de um adversário já é um clássico do horror. É esse tipo de bandidos que o Exército Árabe Sírio de Assad está enfrentando. É inadmissível que o país caia diante disso. Isso não tem nada de revolução. Ao contrário, é reação, para atender ao imperialismo e ao sionismo. Portanto, todo apoio ao bloco Putin-Assad-xiita contra a barbárie do wahhabismo e da OTAN.

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sábado, 1 de agosto de 2015

Respeitar a pluralidade de revelações

Uma reflexão teológica. O seguinte texto deste blog -da linha espírita "não-chiquista", isto é, partidária do retorno às posições kardequianas originais, deturpadas que teriam sido no Brasil católico- é oportuno por tocar num ponto importante: a tendência de 99,99% dos credos religiosos de se enxergarem como A visão correta. Deus tem a NOSSA imagem, e a do OUTRO está errada. Isso é ruim. Diversos vieses e concepções podem se conjugar, dialeticamente, e lá na frente se encontrar. Na sua "biografia" do Corão, Bruce Lawrence chama-o de "Um Livro de Sinais", "um', não "o", o que significa respeitar a pluralidade de revelações.

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quarta-feira, 22 de julho de 2015

A síntese é sempre tensionada

Da dialética. A síntese é sempre tensionada; não fecha o conflito. O marxista argentino Eduardo Grüner: "(...) a consequência que extrai Adorno é inequívoca: a dialética, para sê-lo verdadeiramente, deve ser negativa. Isto é: deve ficar tensamente 'em suspenso' (...)". O conflito não é "superado" -no sentido de apagado- e sim converte-se qualitativamente em outra coisa, é conflito também.

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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Esconde uma alma lírica

Mas ainda Charles Bukowski ("ainda" se não estava falando antes?, mas é que é uma sombra que paira sempre). A casca às vezes esconde um interior radicalmente diferente; já conheci palhaços sociais que, reservadamente, me confidenciaram ser tímidos. Tudo máscara, tudo camuflagem, "tudo que é visível não passa de uma máscara" (Melville). O lúmpen bêbado de Bukowski esconde uma alma lírica. Tem ali uma sensibilidade insuspeita. Já fiz esta comparação antes: Henry Miller é mais refinado mas cínico; sofre menos que Bukowski, bruto mas honesto.

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